PRECISAMOS CONVERSAR SOBRE ANSIEDADE

Psicóloga Patricia Perez

PRECISAMOS CONVERSAR SOBRE ANSIEDADE

Se você abriu esse artigo porque está enfrentando um problema de ansiedade, isso não me surpreende. O Brasil lidera o ranking de Transtorno de Ansiedade no mundo.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que 9,3% dos brasileiros apresentam os sintomas do Transtorno de Ansiedade, o que coloca o Brasil na liderança do “ranking” mundial, com três vezes mais pacientes do que a média global. Na América do Sul, por exemplo, os índices brasileiros superam países como Paraguai (7,6%), Chile (6,5%) e Uruguai (6,4%).

A ansiedade é um mal-estar que está ligado a sentimentos de medo, tensão e perigo. Pode ser desenvolvida durante a infância, em que a criança se torna carente e insegura; pode ser de origem genética ou pode ser desencadeada pela dificuldade de aceitar o novo.

Os sintomas variam muito, podendo ser sensação de angústia, mal-estar, taquicardia, sudorese, tensão muscular, desatenção, tremores, aumento do desejo de urinar e defecar, cefaleia, dor no estômago, falta de ar entre outros. A pessoa chega a ter sentimentos de desespero, com prejuízos da qualidade de vida.

A ansiedade pode ser o início de algumas doenças psicológicas que necessitam de tratamentos e cuidados especiais. A síndrome do pânico caracteriza pessoas com pavores exagerados, decorrentes de situações imaginárias, como ter medo de morrer de repente, de passar mal e não ser socorrido e outros.

O transtorno começa quando essa emoção passa do ponto. Em vez de mover para frente, o nervosismo exagerado deixa o indivíduo travado, impede que ele faça suas tarefas e atrapalha os seus compromissos. Isso lesa a autonomia e prejudica a realização de atividades simples e corriqueiras.

Aí, sair de casa torna-se um martírio. Entregar o trabalho no prazo é praticamente missão impossível. Convites para festas e encontros viram alvo de desculpas. A concentração some, os lápis são mordidos, as unhas, roídas… e a qualidade de vida cai ladeira abaixo.

A ansiedade pode estar presente em diversas situações cotidianas. Quem nunca se sentiu ansiosa antes de um primeiro encontro, de uma entrevista de emprego, de uma reunião importante? Mas quando ela deixa de ser temporária e começa a impactar negativamente a vida social de alguém, precisamos ter atenção redobrada. Porém, apesar da gravidade, nem sempre é levado a sério do ponto de vista social.

COMO A ANSIEDADE SURGE E DE QUE

FORMA AFETA O ORGANISMO

1. A todo o momento, nosso cérebro analisa o ambiente e identifica possíveis ameaças. Áreas como o hipocampo e a amígdala são responsáveis por fazer essa varredura.

2. Diante de um provável risco, o sistema nervoso dispara uma série de reações. As glândulas suprarrenais, que ficam acima dos rins, liberam doses extras dos hormônios adrenalina e cortisol.

3. Essa dupla de substâncias dilata os vasos sanguíneos, faz o coração bater mais rápido e prepara os músculos para a ação. É daí que vem taquicardia, suor, tremedeira, falta de ar…

4. Adrenalina e cortisol alcançam o cérebro, onde estimulam a produção de neurotransmissores que deixam certas regiões da massa cinzenta em estado de alerta.

5. No transtorno de ansiedade, uma ou mais etapas desse processo funcionam de modo exagerado. Qualquer estímulo é considerado um perigo e gera respostas de forma desnecessária.

Então, vocês concordam comigo? Ansiedade não é legal, não é motivo de orgulho, e por isso não deve ser romantizada.

Esperar muito por algo, ficar de olho no celular para ver se a pessoa que você gosta responde, contar os minutos para o horário da aula ou trabalho acabar… Nada disso é Transtorno de Ansiedade

Algumas pessoas podem achar que é, mas não.

A ansiedade é uma emoção normal do ser humano, comum ao se enfrentar algum problema no trabalho, antes de uma prova ou diante de decisões difíceis do dia a dia.

Já em pessoas com Transtorno de Ansiedade, a preocupação geralmente é irreal ou desproporcional para a situação. A vida diária torna-se um constante estado de preocupação, medo e pânico.

Em relatos de pacientes podemos perceber o quanto o sujeito sofre com o Transtorno de Ansiedade.“Minha ansiedade dói na mente, dói no meu corpo, não me deixa respirar. Perco o controle sobre meus sentimentos e tudo parece ser caos… A ansiedade me faz ficar me preparando o dia todo para algo ruim acontecer, porque de alguma forma sinto que algo ruim vai acontecer. Ansiedade vem com um aperto no peito, cria um nó na garganta, me faz vomitar, e meu corpo todo dói. A ansiedade me seca a boca, me faz tremer e meu corpo formigar. Torno-me propensa a qualquer momento poder cair no choro, e esse choro ser incontrolável.”

“A ansiedade me priva constantemente, me faz cancelar coisas que marquei em cima da hora, coisas que queria fazer, coisas que quero conseguir fazer, mas às vezes só consigo ficar sozinha. A ansiedade me faz pedir desculpas demais, me faz sentir um estorvo. E é comum agonizar dias e dias pensando se falei algo que não devia, me faz não conseguir pedir ajuda por achar que minha dor não é válida. A ansiedade me deixa acordada a noite toda, e ter pesadelos quando enfim durmo. Acordar com o coração descompassado, sem conseguir respirar não é legal. A ansiedade me faz pensar demais, racionalizar demais… Estou sempre medindo palavras, pensando demais antes de agir.”

“Mesmo quando minha mente está me matando, digo que está tudo ótimo porque não quero ter que explicar que não tenho controle sobre isso, não ainda. A ansiedade tensiona cada músculo do meu corpo enquanto lidar com questões internas e tento manter o rosto sereno para ninguém notar. Me faz sentir a todo segundo que tem alguém chateado com algo que fiz ou falei. O peso de tudo fica dobrado e sinto que preciso cuidar de todo mundo, mas não deixo ninguém cuidar de mim.”

COMO É FEITO O TRATAMENTO

O tratamento varia de acordo com o grau de estresse e de ansiedade de cada indivíduo. A forma com que a pessoa lida com a ansiedade é muito individual, quando ela procura ajuda no consultório procuro analisar a melhor forma de trabalhar o problema para que os resultados sejam satisfatórios.

A primeira coisa que você deve saber é que as opções disponíveis são seguras e ajudam a melhorar e controlar a situação. Existem dois grandes pilares nessa área: a psicoterapia e os medicamentos.

É preciso avaliar cada caso e lançar mão de um método ou outro, ou até mesmo eles em conjunto, a depender do tipo de ansiedade e do seu grau.

Sempre é bom lembrar que quem fecha o diagnóstico é o médico.

O objetivo do psicólogo é identificar a crença que está atrapalhando o indivíduo e, a partir daí, transformá-la em um pensamento novo, que mude suas atitudes e a forma como ele enxerga a vida.

É um processo de dentro para fora: por meio da conversa, o profissional de saúde faz o paciente refletir sobre alguns de seus temores para, assim, conseguir modificá-los com o passar do tempo.

DICAS PARA CONTROLAR A ANSIEDADE

  • Pratique atividades físicas: nosso corpo produz endorfina que é um hormônio que propicia uma sensação de bem-estar, satisfação e relaxamento.
  • Beba água: considerada um “calmante” natural, é fundamental e ajuda no controle da ansiedade.
  • Respire lentamente: o simples fato de respirar lenta e profundamente algumas vezes acalma.
  • Atividades em contato com a natureza ou animais: traz paz e sensação de plenitude para a maioria das pessoas.
  • Técnicas de meditação ou atividades de relaxamento, mindfulness, yoga, pilates, exercícios de alongamento ajudam bastante.
  • Música e dança: são atividades excelentes para “clarear” a mente.
  • Atividades artísticas e culturais: desde fazer um simples desenho, escrever uma poesia, uma crônica ou uma história, até pintar um quadro, atividades manuais ou artesanato podem trazer benefícios.

REFORMA DO ESTILO DE VIDA

De nada adianta sentar no divã ou tomar comprimidos se alguns hábitos e pensamentos não forem modificados. Aposte numa alimentação equilibrada e variada. Invista em noites de sono tranquilas e reparadoras. E, principalmente, comece já uma rotina de exercícios.

Além de elevar o ânimo, a atividade física atua na capacidade cerebral, aprimorando a comunicação entre os neurônios.

Domar a ansiedade pode até aumentar nossa produtividade no serviço ou garantir uma rotina mais organizada – que tal adotar uma agenda para anotar todos os compromissos, projetos, aflições e questões existenciais?

Patricia Perez

Psicóloga Clínica/Saúde Mental

CRP: 5º/52405

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