A BAIXA AUTOESTIMA POR TRÁS DE UM SUICÍDIO

Psicóloga Patricia Perez

A BAIXA AUTOESTIMA POR TRÁS DE UM SUICÍDIO

A cada ano, cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida e um número ainda maior de indivíduos tenta suicídio.

O suicídio ocorre durante todo o curso de vida e é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.

Trata-se de um grave problema de saúde pública; no entanto, os suicídios podem ser evitados em tempo oportuno, com base em evidências e com intervenções de baixo custo.

A primeira medida preventiva é a educação: é preciso deixar de ter medo de falar sobre o assunto, derrubar tabus e compartilhar informações ligadas ao tema. Como já aconteceu no passado, por exemplo, com doenças sexualmente transmissíveis ou câncer, a prevenção tornou-se realmente bem-sucedida quando as pessoas passaram a conhecer melhor esses problemas. Saber quais as principais causas e as formas de ajudar pode ser o primeiro passo para reduzir as taxas de suicídio no Brasil, onde hoje 32 pessoas por dia tiram a própria vida (Dados Fiocruz). Por isso, é essencial deixar os preconceitos de lado e conferir alguns dados básicos sobre o assunto.

O QUE LEVA UMA PESSOA A TENTAR O SUICÍDIO?

A resposta mais comum para essa resposta é a desesperança, mas segundo um recente estudo científico brasileiro, outros três elementos têm um papel fundamental: os sentimentos de desconexão e de vazio e problemas de autoestima. Esse é o resultado de uma das maiores pesquisas na área já feito no Brasil pelos pesquisadores Rafael Moreno, Gustavo Ottoni e Diogo Lara do Rio Grande do Sul.

O estudo mais recente do grupo identificou que a história de abuso emocional, como ter sofrido ofensas e humilhações na infância e adolescência, é um fator de risco avassalador para querer morrer. Entre os 71.429 participantes da pesquisa quem passou por muitas dessas experiências tem 22 vezes mais chance de ter tentado se matar com a real intenção de morrer.

Para se ter um comparativo, nessa mesma população ter duas ou mais pessoas na família que se mataram aumenta em 8 vezes a chance de tentar se matar.
Em contrapartida, ter passado por falta de carinho ou abuso sexual aumentaram de 2 a 3 vezes o risco de uma tentativa de suicídio, enquanto abuso físico e falta de condições materiais não tiveram influência.

O QUE LEVA O ABUSO EMOCIONAL TER UM IMPACTO TÃO PROFUNDO?

Somos serem sociais e afetivos. Quando uma criança é ofendida ou humilhada, principalmente pelos pais, criam-se feridas profundas na autoestima dela e o sentimento de desconexão

O QUE FAZER PARA PREVENIR E RESOLVER O PROBLEMA DA AUTOESTIMA?

A mensagem mais clara é advertência aos pais do impacto negativo de falar coisas que machucam emocionalmente seus filhos.

Fora isso, existem terapias muito eficazes para amenizar o impacto emocional dessas memórias, o que ajuda muito a ter uma autoestima boa.

COMO PODEMOS DEFINIR O SUICÍDIO?

Suicídio é um gesto de autodestruição, realização do desejo de morrer ou de dar fim à própria vida. É uma escolha ou ação que tem graves implicações sociais. Pessoas de todas
as idades e classes sociais cometem suicídio.
A cada 40 segundos uma pessoa se mata no mundo, totalizando quase um milhão de pessoas todos os anos. Estima-se que de 10 a 20 milhões de pessoas tentam o suicídio a cada ano. De cada suicídio, de seis a dez outras pessoas
são diretamente impactadas, sofrendo sérias consequências difíceis de serem reparadas. (Dados Fiocruz)

O SUICÍDIO PODE SER PREVENIDO?

Sim. Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos, desde que existam condições mínimas para oferta de ajuda voluntária ou profissional. No Brasil, o CVV – rede voluntária de prevenção – atua nesse sentido há mais de 50 anos. Recentemente, foi iniciado um movimento de políticas públicas para traçar planos integrados de prevenção.

SE LIGA!

Estamos diante de uma geração que se vê presa e vítima das armadilhas da mente: do coitadismo, conformismo, imediatismo, superficialidade, necessidade neurótica de estar sempre certo, dificuldade de reconhecer erros, baixa resiliência, insegurança, baixa autoestima – uma geração que não sabe proteger a sua emoção. Os adultos fazem seguros de todos os seus bens, mas não possuem consciência da necessidade de fazer seguro emocional.

E quando penso que esse índice é muito maior entre jovens, me vem um questionamento: Quais são os pensamentos negativos, quais são os seus medos, quais são as suas angústias, o que está no controle dos pensamentos dele? Falta autoestima e autocontrole aos jovens, além de outras habilidades socioemocionais. É necessário que os pais criem pontes com os filhos, jamais permitindo que estes se isolem em suas ilhas emocionais. Nós precisamos ensinar as nossas crianças a desenvolver uma autoestima alta, uma autoimagem saudável, que aprendam a se enxergar e a se amar, valorizando-se.

Com carinho,
PPP 🦋

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