INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NOS RELACIONAMENTOS

Psicóloga Patricia Perez

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NOS RELACIONAMENTOS

Recorrer a vícios e prazeres efêmeros para anestesiar sua dor não é uma atitude emocionalmente inteligente. Tampouco seria inteligente se trancafiar num quarto e se encher de remédios.

Quando se fala de relacionamentos, seja ele um relacionamento amoroso, fraternal, parental, profissional ou de amizade, estamos sujeitos a sentir emoções inesperadas e até mesmo indesejadas. É normal.

Mas para começarmos… Você sabe o que é ter Inteligência Emocional?

Inteligência Emocional (IE) é a capacidade de um indivíduo administrar as próprias emoções, usando-as a seu favor (inclusive as emoções ditas “negativas”). Também envolve entender o sentimento do outro, construindo relações saudáveis e conscientes.

Costumo dizer que quem a possui, é capaz de pensar, sentir e agir da forma mais inteligente, sem permitir que as emoções controlem sua vida. É a arte fundamental do autoconhecimento.

Uma vez instaladas, essas emoções podem minar nossas energias, baixar nossa autoconfiança e abalar nossa autoestima. Fora que essas emoções podem se enraizar muito, são os ditos “traumas”.

Imagine o impacto emocional do fim de um relacionamento amoroso. Caso você não trabalhe seus sentimentos e emoções com inteligência, você pode deixar se instalarem em você traumas e negativismo para os próximos relacionamentos.

Contudo, em muitas situações, ficamos sem saber como lidar, justamente por não possuir a inteligência emocional para gerir esses impactos emocionais, principalmente quando são fortes e inesperados.

Um dos principais motivos para “sofrermos” com nossos relacionamentos é por conta de baixa autoestima ou baixa autoconfiança. Quando não temos controle sobre esses dois, o amor próprio acaba por não surgir e as emoções fortes nos deixam desprotegidos do mundo.

Cada um tem a sua própria maneira de reagir ao mundo e aos acontecimentos, não existe uma fórmula, uma receita, um manual de como devemos proceder diante de determinadas situações e muito menos de como devemos nos relacionar com outras pessoas.

No que diz respeito aos relacionamentos amorosos, então, a complexidade é ainda maior, e a habilidade precisa ser grande para podermos harmonizar dois universos totalmente diferentes que passam a fazer parte de um só, cada um trazendo a sua própria bagagem, as suas histórias, costumes e padrões aprendidos dentro de casa, com seus pais, com a rotina que cada um teve até aquele determinado momento onde se encontraram.

No início dos relacionamentos tudo parece mais fácil, as diferenças, via de regra, não são evidenciadas, porque o encantamento de todo começo é o mesmo para todos, e acaba por mascarar a realidade que deveria sim, ser observada desde o princípio.

À medida que o tempo vai passando, naturalmente a intimidade vai aumentando, as tarefas do dia a dia e a rotina passam a fazer parte da dinâmica de qualquer casal, e é neste momento que, geralmente, começam a serem observados os pontos de discordância.

É nessa hora que começam a aparecer às discussões, diferenças de interesse, sentimentos de solidão, falta de compreensão e assim por diante.

O que deveria supostamente ser um só caminho trilhado em uma mesma estrada percorrida com tranquilidade e felicidade começa a desmoronar e tomar rumos desastrosos.

ENTÃO, O QUE FAZER?

  • Se conectar com pessoas queridas.
  • Refletir sobre suas emoções, identificando o que é carência; o que é ego; o que é “corpo de dor”; o que é saudade; o que é gostar/amor; o que é raiva, etc.
  • Conversas são importantes. Evite o orgulho.
  • E, principalmente, use suas tristezas e mágoas para aprender e crescer.

Mas como podemos tornar isso possível, fazer com que as coisas não tenham o dobro do peso que naturalmente deveriam ter, administrar as emoções de forma que possamos identificar os pontos de divergência e encontrar uma solução plausível para os dois sem que um se sinta prejudicado, dialogando para encontrarem, juntos, a melhor forma de lidar com as situações de crise?

COMUNICAÇÃO TRANSPARENTE

Uma das tarefas mais difíceis do ser humano é aprender a ouvir o outro!

Temos, naturalmente, uma dificuldade em escutar as pessoas de uma maneira ativa, e principalmente, em um relacionamento amoroso, pois corremos sérios riscos de ouvir coisas que não estamos dispostos a escutar.

A maior arma para a dissolução de um conflito deve ser sempre um bom diálogo, onde as ideias possam ser comunicadas, assim como as emoções e os sentimentos que estão presentes nesta ou naquela situação.

Em momentos de crise, a nossa maior tendência é atacar, ostensivamente, sem ouvir, sem proporcionar o espaço necessário para oportunizar ao outro uma tentativa de estabelecimento da paz entre o casal.

Agir sempre na defensiva não nos permite, sequer ouvir as nossas próprias razões, tentar entender o que gerou a crise e como ela se instaurou.

É fundamental para a sobrevivência de um casal saber verbalizar seus sentimentos, sua visão do outro, expor seu mundo interior, e, principalmente, falar de uma maneira que o outro possa compreender a complexidade dos sentimentos que estão sendo trazidos à tona.

Pessoas que sabem utilizar a inteligência emocional em prol do relacionamento, sabem o exato momento em que devem estabelecer a comunicação, buscando encontrar o momento ideal em que poderão simplesmente falar, com calma e tentar encontrar uma solução.

Essas pessoas, não despejam as palavras ao vento, sem a preocupação de que o outro as entenda, e, ao contrário, encontram o termômetro adequado para os momentos de crise, onde, o diálogo passa a ser a sua melhor ferramenta no resgate do equilíbrio do casal.

É triste quando presenciamos casais digladiando em público, querendo um, ser mais ofensivo do que o outro, expor as fragilidades daquele que realmente conhece na intimidade, ridicularizando de todas as formas o seu parceiro e transformando uma simples reunião de casais em um espetáculo deplorável.

Felizmente, ao contrário, estão aqueles que realmente procuram o momento certo para o confronto, aguardando chegar em casa, ficando em silêncio até que ambos estejam sozinhos em um ambiente íntimo onde possam deixar vir à tona seus sentimentos, pensamentos e emoções envolvidas naquele determinado processo.

E esta, é certamente, a melhor forma de começar um diálogo maduro, com o verdadeiro propósito de crescimento do casal.

TODOS NÓS TEMOS NOSSOS PRÓPRIOS LIMITES E NECESSIDADE

Uma relação saudável é construída entre pessoas que sabem exatamente quais são os seus limites, seus medos, suas necessidades e, melhor ainda, compreendem que não são as únicas pessoas no mundo dotadas de tais sentimentos.

Pessoas que não são dotadas de inteligência emocional, geralmente são imaturas, inseguras, cheias de dúvidas e incertezas sobre suas próprias vidas, o que dificulta ainda mais ter uma visão do complexo que é conviver com uma outra pessoa.

O autoconhecimento nos permite enxergar que todos nós temos virtudes e defeitos, limitações que precisamos melhorar, e quando acordamos para as nossa própria condição de seres humanos, temos a possibilidade de construir em conjunto uma maneira de coexistir em um mesmo ambiente, buscando, diariamente auxiliar um ao outro em seu crescimento. 

A manutenção do vínculo do relacionamento dependerá, essencialmente, da aceitação do outro enquanto um ser dotado de virtudes e defeitos como nós mesmos.

É importante saber exatamente o lugar que ocupamos no relacionamento, para onde pretendemos ir, onde queremos chegar, e que o outro faça parte deste caminho.

Um relacionamento baseado no diálogo, no respeito pelas diferenças, na compreensão do outro e bem organizado, tem sempre chance de dar certo, a falta de estabilidade emocional leva as pessoas a agirem apenas por impulso, sem ponderação, sem uma análise correta do todo e principalmente de uma real avaliação da situação que está vivenciando. 

Amar é uma tarefa grandiosa, que requer disponibilidade, tempo, maturidade e muita sabedoria.

Lançar mão da inteligência emocional pode ser um excelente apoio para nos guiar pelo melhor caminho, pois através dela podemos encontrar o equilíbrio necessário para administrar os momentos de crise e construir uma relação saudável e duradoura por toda a nossa vida!

ADQUIRA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL PARA LIDAR COM SUAS EMOÇÕES

A inteligência emocional trabalha sobre 5 pilares para estabelecer uma melhor compreensão e administração das emoções. Uma emoção forte não impacta tanto quando você sabe dilui-la.

Essa inteligência aumenta a autoestima e autoconfiança, reduz os conflitos em relacionamentos, aumenta o nível de comprometimento com metas e traz equilíbrio emocional.

Pode demorar e ser difícil, mas adquirir inteligência emocional é o que pode lhe trazer uma melhor administração em momentos mais difíceis.

OS 5 PILARES DA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

A inteligência emocional é um assunto relativamente recente. O livro “Inteligência Emocional: a teoria que redefine o que é ser inteligente”, considerado a principal obra sobre o tema, foi lançado em 1995 pelo psicólogo e jornalista científico Daniel Goleman. Nele, o autor define quais os pilares da inteligência emocional. São eles:

PILAR 1: CONHECER AS PRÓPRIAS EMOÇÕES

Quando você sente raiva, será que essa é a sua verdadeira resposta ou ela pode estar camuflando um sentimento de frustração? O que dizer, então, da ansiedade? Ela é o manto que pode esconder uma série de emoções muito mais complexas. Ela faz você achar que está ansioso por conta de uma apresentação, por exemplo, quando, na verdade, esconde o medo de fracassar ou de ser julgado.

Saber reconhecer e nomear as emoções que sentimos é o primeiro grande exercício para desenvolver a inteligência emocional. Afinal, como gerenciar emoções que você não conhece? Para facilitar esse processo de autodescoberta, um exercício simples é anotar, ao final de cada dia, os sentimentos que você percebeu e como você lidou com eles.

PILAR 2: CONTROLAR AS EMOÇÕES

Ao entender quais as emoções que você verdadeiramente sente, é hora de trabalhá-las. Ao final de uma semana de anotações, faça um balanço dos sentimentos mais frequentes e da forma como você lidou com eles.

Ao desenvolver esse segundo pilar da inteligência emocional, é importante que você entenda a diferença que existe entre dois conceitos: autopercepção e heteropercepção. A primeira, como você já deve saber, se refere ao que entendemos e percebemos. A segunda, diz respeito ao modo como os outros enxergam a mesma situação. Muitas vezes, a autopercepção diz que o seu modo de agir é assertivo; enquanto isso, as pessoas ao seu redor interpretam suas ações como sendo de uma pessoa ríspida, afinal você é o que as pessoas enxergam e não o que você pensa.

Descobrir o que os outros pensam a nosso respeito é sempre um ato de coragem, pois nem sempre as mensagens que enviamos são lidas com o mesmo tom com o qual as enviamos. Conhecer a percepção alheia é fundamental para quem quer trabalhar a sua inteligência emocional, pois assim consegue-se controlar melhor a emissão de mensagens e evitar entendimentos distorcidos.

PILAR 3: AUTOMOTIVAÇÃO

Aprender a gerenciar suas emoções e racionalizar antes de tomar qualquer decisão traz benefícios como a diminuição de conflitos interpessoais e internos. Sendo assim, o caminho a percorrer em direção aos seus objetivos se torna mais tranquilo e equilibrado.

É muito fácil voltar a antigos padrões de comportamento e isso acontece com todo mundo. O que não pode acontecer é acreditar que não dá para mudar, que “eu sou assim mesmo”. É aí que a automotivação mostra porque é um dos pilares que sustentam a inteligência emocional.

Lembre-se do porquê está investindo nessa mudança, nos benefícios pessoais e profissionais que a inteligência emocional irá trazer e não desista do seu aperfeiçoamento!

PILAR 4: EMPATIA

Assim como a inteligência emocional, a empatia é um conceito que, recentemente, tem ganhado destaque. Ter empatia é se colocar no lugar do outro. Mas, fazer isso verdadeiramente, de maneira sensível e aberta, sem julgamentos. Seu colega se aborreceu por algo que você considera uma bobagem? Ser empático é mais que apenas validar e respeitar o sentimento alheio, mas tentar se inserir naquele contexto, entender porque, para ele, aquele acontecimento tão banal despertou essa emoção.

PILAR 5: SOCIABILIDADE

Uma consequência do desenvolvimento da empatia é construir relações mais positivas e saudáveis. As habilidades sociais afetam todos os âmbitos da vida, afinal, é impossível viver sozinho. Dos relacionamentos afetivos à vida em família, passando pela carreira, todos os dias é preciso lidar com pessoas diferentes.

Ter manejo social, conseguir transitar entre os grupos e se relacionar bem com eles, é um dos pilares da inteligência emocional. É, sem dúvida, uma das formas mais eficientes de criar um ambiente positivo ao seu redor, com relacionamentos baseados no respeito.

CONCLUSÃO

Esses pilares se relacionam entre si, um complementando o outro. Como você pôde perceber, a inteligência emocional começa com o autoconhecimento, fazendo com que você reflita sobre os seus sentimentos e objetivos. Só então, eles se dedicam à relação com os outros. Juntos, esses pilares sustentam a inteligência emocional de maneira holística, fazendo com que o seu desenvolvimento seja uma atividade realmente transformadora.

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